Rock in Rio 2026

Rock in Rio 2026: Crítica, Lineup e a Perda da Magia | Opinião
rock in rio 2026

Eu juro que era pra ser épico… mas o Rock in Rio 2026 virou sermão (e eu cansei de fingir que gostei)

Publicado em 11 de Setembro de 2026 • Leitura: 6 min

Eu conto do jeito que eu vivi, porque tem coisa que dá vontade de parar no meio e só respirar. Não é drama gratuito: é cansaço acumulado mesmo. Eu sou fã de rock, de show grande, daquela sensação meio absurda de ver uma multidão e pensar “caramba, eu tô dentro de um negócio maior do que eu”. Só que o Rock in Rio 2026, pra mim, teve cara de outro tipo de mundo: menos sonho e mais sala de espera. E não foi por falta de horário. Foi por falta de adesão.

Desde cedo eu já sentia no ar. Você olha pra grade, olha pra internet, vê as pessoas comentando como quem não quer parecer maluco— mas já tá. E aí vem a primeira facada: os vídeos. Não é um “tá vazio porque era cedo”; é vazio daquele jeito que não combina com festival. Gramado parecendo palco sem plateia. Clima de “deu ruim” estampado na própria imagem. E eu sei que tem sempre recorte, sempre ângulo, sempre exceção. Só que não era exceção. Era padrão o bastante pra virar assunto mundial.

A Ironia da Grandiosidade

O que me pegou foi a ironia. Rock in Rio sempre foi grandiosidade. Quando criança, eu ouvia as histórias como se fosse lenda: filas, caos bonito, gente suando, energia colada no corpo. O clássico “como é que cabe todo mundo aqui?”. Em edições anteriores, era normal o festival ser um organismo vivo— barulhento, caótico, barulhento de propósito. Agora não. Agora, pelo que eu vi e ouvi, parecia que o festival não precisava se provar.

E aí eu entendo porque tanta gente ficou com essa sensação de “tá faltando alguma coisa”. Não é só presença física— é presença cultural. É o tal do clima “vamos juntos”, do “todo mundo veio por amor”. E se o evento perde isso, ele vira uma vitrine. E vitrine não entrega arrepio; vitrine vende ingresso.

Eu ouvi e vi várias reclamações que fazem sentido quando você junta as peças: lineup questionado, preços altos demais pra um país que já vive no modo sobrevivência, e a sensação de que algumas atrações “não puxaram” a massa como puxam quando a coisa está no auge. Tinha gente falando que faltou aquela surpresa— aquele “caramba, era isso que eu precisava”. O tipo de emoção que faz você esquecer quanto pagou. Se o festival não te leva pra dentro, você fica preso fora: olhando, avaliando, questionando.

O Vazio que Virou Pauta

E, sim, eu vi também como as áreas estavam mais vazias do que deveriam. Tinha vídeo mostrando o palco Mundo sem aquela pressão de beira de palco. A pessoa chegava perto com tranquilidade, coisa que em Rock in Rio antigo era quase missão impossível. E eu pensei: “ok, talvez seja um problema de fluxo, de gestão, de logística”. Mas aí somam outras coisas, e o quadro desenha um “não cola”. Teve lugar que nem teve fila como era esperado. Teve estande fechando cedo, antes do fim do movimento. Trocar expectativa por ociosidade é uma forma muito rápida de matar o entusiasmo.

Agora, o que é realmente curioso— e eu diria até injusto— é que as pessoas pagam caro e depois descobrem que o festival não entrega o mesmo valor emocional que entregava antes. Ingresso não é só acesso: é promessa. Você compra o direito de participar de um momento. Quando esse momento falha, não é “opinião”. Vira cobrança legítima. E é por isso que a internet explodiu do jeito que explodiu: porque quando o cenário não sustenta a propaganda, todo mundo quer conferir o próprio receio virou realidade.

Eu não tô dizendo que todo show foi ruim. Eu não sou criança de internet pra reduzir tudo em “foi péssimo, pronto”. Tem atração que funciona, tem momento bom, tem gente que curtirá mesmo com o festival esquisito. Mas eu tô falando do conjunto. Do saldo emocional. Do “por que eu tô vendo vazio onde eu deveria ver energia?”. Do “por que, em vez de um evento, parece um fim de semana comum em outro lugar, só que caro?”.

DNA do Rock e Prioridades

E aí tem outra camada: a questão do DNA do rock no Brasil. Tem gente que tenta tratar rock como nicho fechado, como se o evento fosse só mais um produto e pronto. Só que Rock in Rio nunca foi nicho. Foi bandeira. Foi oportunidade de ver lendas e também fortalecer cena local. Aí quando você sente que até artistas importantes aparecem “menores” do que poderiam, por falta de encaixe, de potência do momento, de construção do entusiasmo, você começa a suspeitar que não foi só azar. Foi prioridade errada.

Eu lembro de como o público reagiu quando algumas coisas funcionaram— a comoção é sempre sincera. Mas eu também lembro do resto: as horas em que a gente ficava esperando “a virada”. E a virada não vinha do jeito que deveria. Teve gente com sensação de que algumas apresentações não entregaram tanto quanto repertório prometia. Teve gente comentando problema técnico em certos momentos, como críticas sobre afinação fora do tom ou retorno— coisas que, vindo de palco grande, incomodam porque você espera excelência. E quando a excelência falha, não tem como “relevar” com o argumento “mas vendeu”. Não, vendeu não. Vendeu, mas vacilou.

E eu vou ser bem direto: em um país onde o povo já vive respirando rente, preço de ingresso alto vira faísca. Mesmo o fã mais paciente fica impaciente quando a conta chega junto com a frustração. Em 2026, do jeito que comentaram na rede, parecia tudo caro demais para retorno emocional incerto. E isso explica por que o debate foi tão grande: porque é um tipo de frustração coletiva. Não é reclamação de um grupo isolado. É uma massa inteira olhando e perguntando “cadê o festival? cadê o motivo?”.

A Perda da Exclusividade

Aí entra outro detalhe que eu acho que pesa, e que muita gente finge não entender: exclusividade. Rock in Rio, historicamente, tinha o peso de ser “um dos poucos gigantes” no ano. Não era só show— era janela rara. Se você perdia, perdia muito. Mas hoje o Brasil está cheio de grandes turnês, cheio de evento grande acontecendo o tempo todo. O calendário abriu. A consequência é simples: a gente tem escolha. E, se tem escolha, você não vai comprar sem acreditar. Você vai comprar quando vale a emoção.

E é por isso que, na minha visão, o Rock in Rio 2026 virou alvo: não apenas porque o lineup foi criticável, mas porque perdeu aquela aura de “só acontece aqui”. Quando o evento deixa de ser inevitável, ele precisa ser irresistível. E, pra parte do público, não foi.

O resto foi o que sempre acontece em era digital: virou recorte, virou vídeo de gramado vazio, virou meme, virou debate interminável. Cada um interpretou dados com a própria dor. Uns ficaram revoltados. Outros ficaram indiferentes. E uma galera, bem mais madura do que o Twitter, só ficou decepcionada e pronto: preferia não ter apostado tanta energia.

"Agora, eu tenho uma pergunta que não quer calar: por que a gente insiste em fingir que só vai melhorar se a crítica for 'bonitinha'? Festival precisa ser cobrado. Porque, no fim, não é só sobre artista. É sobre experiência, logística, coerência de lineup e responsabilidade com o público que paga."

Eu, particularmente, não quero assistir a próxima edição esperando aceitar pouco. Eu quero que Rock in Rio volte a ser sonho— não status. Porque status você vê em foto. Sonho você sente no corpo.

E eu vou falar mais um pouquinho, como fala quem ainda tá com as imagens na cabeça: se a pergunta é “fracassou ou não fracassou?”, eu diria que depende do que você chama de sucesso. Se sucesso é lotar palcos, engatar público e gerar aquela magia, pra muita gente não rolou como antes. Se sucesso é “ter artista e acontecer”, rolou. Só que sucesso não deveria ser o mínimo possível; deveria ser o que faz o Rock in Rio virar referência outra vez.

Então me diz: na sua opinião, o que foi determinante pra tanta crítica negativa— o lineup mesmo, os preços, a perda da aura de exclusividade, ou uma soma de tudo isso? Eu queria muito ouvir, porque a verdade é que esse debate não é sobre esnobar ninguém: é sobre o futuro do show grande no Brasil.

E sim: eu ainda quero Rock in Rio do jeito que a gente sonha. Só não quero que façam a gente pagar caro para voltar pra casa com sensação de “tava tudo meio morno”.

#RockInRio2026 #Lineup #IngressosAltos #MúsicaEBreveRealidade #RockBR

© 2026 - Opinião e Crítica. Todos os direitos reservados.